quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ao meu avô

Sou feita de saudades. Saudades da infância, do tempo de colégio, de amigos, de risos profundos.
Saudades dos fins das tardes em que passei com minha avó em sua casa, quando sentava à mesa da cozinha e ainda não conseguia alcançar os pés no chão. Saudades da casa em que nasci, saudades das viagens que fiz com meus pais quando ainda era criança, saudades da minha primeira professora, saudades, muitas saudades.
As lembranças estão sempre presentes, mas há dias em que elas impregnam na alma, nos olhos e no coração. É como se tivéssemos aberto a porta e de surpresa a saudade invade, se espalha e se deleita.
Hoje foi um dia assim.
Lembrei fortemente do meu avô, do seu sorriso largo, da sua voz, das suas mãos firmes, da sua habilidade de contar histórias e estórias. Do seu jeito cativante, moleque, menino e gozador. Lembrei do seu jeito pai, amigo e exemplo. Lembrei do seu jeito companheiro, amável e religioso.
Lembrei de você, meu avô.
Sinceramente, hoje queria poder te abraçar, sentar ao seu lado e ficar em silêncio, mas em outubro último você nos deixou, e com tua ausência a saudade se faz presente, faz reviravoltas em nossos corações, pula, salta, faz birra, traz lágrimas e traz sorrisos.
Ficamos órfãos da tua alegria, mas não dos teus ensinamentos. Foi você quem nos ensinou a sonhar.
Vovô, até um dia! E quando esse dia chegar mataremos as saudades e riremos juntos novamente. Saudades, muitas saudades!
Laís Toscano

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