sábado, 17 de abril de 2010

Eugénio de Castro


Tua frieza aumenta o meu desejo:
fecho os meus olhos para te esquecer,
mas quanto mais procuro não te ver,
quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente, atrás de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei-de possuir-te, sei
que outro, feliz, ditoso como um rei,
enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
amam metade os que amam com esperança,
amar sem esperança é o verdadeiro amor.

Eugénio de Castro

Esse texto foi indicação de um amigo. Gostei do texto (apesar de ter uma ideia de submissão), em especial do último verso. Decidi pesquisar mais sobre o poeta português e por coincidência encontrei um poema que tem como título À Laís. Desde já fica o compromisso de postá-lo depois.


Laís Toscano