segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje é dia de Cecília


Hoje encontrei esse poema de Cecília Meireles e me apaixonei por ele. Tão profundo e tão simples, tão óbvio e tão intenso, tão verdadeiro, tão tão...
Transcrevo-o aqui:

Versos

Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinho.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.
Temos um medo:
Acabar.
Não vês que acabamos todo o dia.

Que morremos no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.

Que nos renovamos todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.


Que somos sempre outro.
Que somos sempre o mesmo.

Que morreremos por idades imensas.
Até não termos medo de morrer.
E então seremos eternos.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mamãe, e se for a felicidade?!

E então como saber quando ela vai chegar? Será que vai bater na porta e vai responder quem é? Será que vai dizer o porquê daquele momento? Provavelmente, não!
O ser humano tem mania de idealizar momentos, fantasiar histórias, desenhar o ideal de vida. Ora, quem idealiza demais vive de menos.
Sim! Digo por mim!
Tantas vezes não percebemos o momento que estamos passando porque estamos com a cabeça no ideal, no imaginário, sem nem ao menos ter idéia de que aquele é o momento de ser feliz. Ou então porque o momento idealizado chegou e não nos contentamos, pelo simples fato de que se tem idéia de que a felicidade é sempre algo a se chegar, e quando ela chega nos frustramos, queremos mais, exigimos mais, pedimos mais.
Certamente, se continuar assim, não se conhecerá a felicidade. Assim será uma eterna busca que nunca chega, que nunca se completa, que nunca se faz.
É uma tal espera pelo emprego ideal, o amor ideal, a casa ideal, a família ideal. Não se vive de ideal, e sim do que se tem em mãos! Vive-se do bom proveito do que se tem!
E eu também vou em busca desse aprendizado.

Laís Toscano

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Admirável Lispector

Sou apaixonada pela escrita de Lispector. Ainda sou muito menina e iniciante nesse mundo sem fim da leitura.
Encontrei em Lispector muitas palavras que gostaria de ter dito e não saberia por onde começar. Ela escreve como se tivesse mergulhado no labirinto do seu ser, que por diversas vezes é cheio de emaranhados, mas que ela consegue traduzir em palavras.
Hoje deixo aqui um trecho dela para ser pensado e repensado.

"É dificil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."


P.S.: Espero, no próximo post, voltar com mais profundidade e disposição para escrever.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não sei quantas vezes serão necessárias, não sei até onde o medo vai persistir, não sei até onde a lembrança vai ser forte, não sei quantas vezes ainda vou cair. Nem sei ao certo se voltarei, se falarei, se ouvirei.
Já não tenho certeza se estou pronta, se sei, se fui.
Talvez eu não esteja mais aqui, talvez eu não esteja nem aí. Talvez já tenha perdido a importância.
Pode ser que eu reenconte, talvez não. Pode ser que eu telefone, pode ser que eu desista. Pode ser que eu responda 'oi', pode ser que eu me esconda. Pode ser, também, que eu nem reconheça, pode ser que eu veja e nem me preocupe, e pode ser, inclusive, que eu dê imensas gargalhadas.
Pode ser amanhã. Pode ser nunca mais.


Laís Toscano