Rua Clemente Pereira, nº 57, casa amarela de esquina, portas e janelas ladeadas de desenhos em alto relevo, pé direito alto, telhas aparentes e no chão cerâmica em cores vermelha e branca.
Fecho os olhos e consigo ver a porta azul dividida ao meio, no canto da parede da sala há travas de madeira que servirão de reforço logo mais à noitinha.Invado a sala e me deparo com a vitrola posta na estante de madeira escura. Uma mesa ao centro decorada com toalha de renda branca e no canto direito da sala uma mesinha com rodinhas serve de apoio para a televisão.
A cadeira de balanço está lá, estou a vendo!
São cinco e meia da tarde, sinto cheiro de café. É o aviso: vovó está na cozinha! Ouço barulho de panelas sendo usadas e sei que para o jantar terá sopa com gosto de carinho.
Sento-me à mesa e os pés ainda não alcançam o chão, minha avó observa se larguei os cotovelos sobre a mesa, volta-se novamente para o fogão que fica logo em frente, anda de um lado para o outro, corta cenoura, batatinha e chuchu, afinal, a sopa precisa ficar pronta. Sobre a mesa tem pão quentinho, bolo e bolachas.
De longe escuto os passos arrastados do meu avô, ele gargalhou alto, desconfio que está conversando com alguém que passa na rua.
Volto para a sala e sobre a mesa tem uma imagem de Nossa Senhora e outra de Jesus Cristo.
Bate o sino da catedral, já passa das seis horas. Vovó corre contra o tempo para chegar antes que a missa comece. Sobre a roupa branca tem uma fita vermelha indicando que ela compõe o grupo das Filhas de Maria.
O tempo passou e em um dia qualquer meu avô se desfez da vitrola , da televisão antiga e da estante de madeira escura.
O que era sala passou a ser quarto e a porta azul não existe mais.
O tempo marcou o rosto da minha avó, multiplicou seus cabelos brancos e levou meu avô.
Hoje, entre as paredes espessas da casa amarela, minha avó caminha arrastando os pés e a saudade.
A cadeira de balanço está lá, estou a vendo!
São cinco e meia da tarde, sinto cheiro de café. É o aviso: vovó está na cozinha! Ouço barulho de panelas sendo usadas e sei que para o jantar terá sopa com gosto de carinho.
Sento-me à mesa e os pés ainda não alcançam o chão, minha avó observa se larguei os cotovelos sobre a mesa, volta-se novamente para o fogão que fica logo em frente, anda de um lado para o outro, corta cenoura, batatinha e chuchu, afinal, a sopa precisa ficar pronta. Sobre a mesa tem pão quentinho, bolo e bolachas.
De longe escuto os passos arrastados do meu avô, ele gargalhou alto, desconfio que está conversando com alguém que passa na rua.
Volto para a sala e sobre a mesa tem uma imagem de Nossa Senhora e outra de Jesus Cristo.
Bate o sino da catedral, já passa das seis horas. Vovó corre contra o tempo para chegar antes que a missa comece. Sobre a roupa branca tem uma fita vermelha indicando que ela compõe o grupo das Filhas de Maria.
O tempo passou e em um dia qualquer meu avô se desfez da vitrola , da televisão antiga e da estante de madeira escura.
O que era sala passou a ser quarto e a porta azul não existe mais.
O tempo marcou o rosto da minha avó, multiplicou seus cabelos brancos e levou meu avô.
Hoje, entre as paredes espessas da casa amarela, minha avó caminha arrastando os pés e a saudade.
Laís Toscano

