quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carta a um amigo


Querido amigo Pedro,


Ultimamente ando lembrando muito de você, da nossa infância feliz, da nossa adolescência bem vivida e dos nossos sonhos compartilhados. Remexendo nas gavetas encontrei fotos em que estávamos juntos na época da faculdade. Depois que encontrei essas fotos decidi voltar àquele cafezinho em frequentávamos lá na Rua Venceslau Menezes, confesso que me emocionei bastante ao voltar lá e não ter sua companhia.
Faz tempo que você não me escreve e nem telefona, e isso me deixa bastante ansiosa, porque preciso saber de como vai sua vida, seus afazeres, seus planos.
Por aqui a vida está um tanto corrida, estou trabalhando na redação de um jornal importante do nosso Estado e isso acaba por me tomar muito tempo.
Tenho planos de dar andamento a outro livro de contos, acredito que até o final do ano consiga terminá-lo, quem sabe.
Mas não escrevo para falar de mim, e sim para saber de você. Como vão os estudos na França? Tem se adaptado bem ao clima, aos costumes? Como vai a adorável Juliana? Sinto saudades dela também. Diga-a que a espero na volta para comer aquele bolo de cenoura que só ela sabe fazer. Quero também ouvir sua enorme risada e suas experiências.
Quanto ao último poema que me enviou, achei belíssimo, encantador, como você sempre foi e escreveu. É de uma pureza surpreendente!
Estou planejando uma viagem para revê-lo. Gostaria de abraçá-los, você e Juliana, conhecer as belezas daí e até mesmo retomar aquele projeto de escrevermos um livro juntos. Que tal? Gostas da idéia?
Enfim, vou ficando por aqui porque já está na hora de voltar ao trabalho. Espero por notícias em breve.



Com amor,
Cléo.


P.S.: Junto das notícias, mande-me também fotografias de seus dias.




Laís Toscano

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aos amigos, meu carinho!

Aos amigos presentes, àqueles que ora estão distantes, mas que carrego doces lembranças, aos de infância, aos de colégio, aos de faculdade, aos que ainda virão, aos amigos recentes, aos que chegaram de mansinho, ficaram sem pressa, sem cobranças, aos que não me escolheram, apenas aconteceram, meu carinho!
Pelos momentos de risadas, pelos momentos que fui incompreensiva e que mesmo assim tentaram me compreender, pelos momentos em que fui ausente e mesmo assim não esqueceram de mim, meu mais sincero agradecimento!
A vida só vale a pena quando enchemos ela de amigos, pois aí está a grande riqueza inabalável!
Laís Toscano

Despedida

Estava decidida. Ía, enfim, brigar com a tristeza! Ensaiou algumas palavras, respirou fundo, encheu-se de coragem e amor-próprio, e assumiu que estava disposta a superar seu passado.
- Olha aqui - disse ela - trate de me esquecer, eu preciso ir embora e você seguirá seu caminho, vagando por aí perdida...
No meio daquelas palavras saltitantes a voz ainda falhava, mas estava firme na decisão que tomara.
- Vai, solta minha mão, eu quero conhecer outros caminhos, esquece meu coração, ele precisa de um pouco de paz. Meu corpo está cansado, meu sono pede trégua para poder sonhar, meus olhos estão desiludidos, perderam o entusiasmo, perderam o brilho. Sai, saia já!
Ela estava consciente de que seria uma batalha entre gigantes, mas vestiu-se de força e não desistiria da vitória.
- Entenda! Todos buscam a felicidade, eu sou apenas mais uma. Não seja egoísta, tente mudar também, aprendizados e mudanças fazem parte da vida. Veja bem, para você não pensar que estou sendo ingrata te dou um conselho, larga a melancolia, vira a página, junte-se a felicidade, ao sorriso. Vai, por favor, deixe-me aqui, eu preciso viver!
Laís Toscano

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inconsequente

Foi embora atrás de um sonho. Juntou tudo, colocou na mala e foi.
Deixava para trás tudo que já vivera. Sabia que um dia voltaria, mas não parou pra pensar que na sua volta nada estaria igual. A sua vida de antes não a reconheceria, seus amigos já não seriam os mesmos, a árvore que plantou já estaria grande, outras histórias teriam sido escritas e ela nem sequer tivera a oportunidade de lê-las. Desconfio eu que na sua mala não levara as saudades, foi assim, friamente, egoísta, pensara apenas nesse tal sonho!
Quando voltar não encontrará seu passado, sua vida não a reconhecerá, o cheiro dos lençóis de sua cama não será o mesmo, as paredes da sua casa estarão mais frias, indiferentes, como se ali estivesse entrando uma estranha.


Laís Toscano