domingo, 6 de dezembro de 2009

Que a vida tem contrários

Hoje é domingo e nada mais comum do que aquela sensação de recomeço, a sensação de que é preciso ficar a postos para o futuro. Entre um desalento e a confiança, aceitar os desafios se faz essencial. E dentro dessa idéia, publico um texto de Fábio de Melo.


Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar
Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota o motivo para lutar
E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer
Que o verso tem reverso
Que o direito tem avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje é dia de Cecília


Hoje encontrei esse poema de Cecília Meireles e me apaixonei por ele. Tão profundo e tão simples, tão óbvio e tão intenso, tão verdadeiro, tão tão...
Transcrevo-o aqui:

Versos

Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinho.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.
Temos um medo:
Acabar.
Não vês que acabamos todo o dia.

Que morremos no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.

Que nos renovamos todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.


Que somos sempre outro.
Que somos sempre o mesmo.

Que morreremos por idades imensas.
Até não termos medo de morrer.
E então seremos eternos.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mamãe, e se for a felicidade?!

E então como saber quando ela vai chegar? Será que vai bater na porta e vai responder quem é? Será que vai dizer o porquê daquele momento? Provavelmente, não!
O ser humano tem mania de idealizar momentos, fantasiar histórias, desenhar o ideal de vida. Ora, quem idealiza demais vive de menos.
Sim! Digo por mim!
Tantas vezes não percebemos o momento que estamos passando porque estamos com a cabeça no ideal, no imaginário, sem nem ao menos ter idéia de que aquele é o momento de ser feliz. Ou então porque o momento idealizado chegou e não nos contentamos, pelo simples fato de que se tem idéia de que a felicidade é sempre algo a se chegar, e quando ela chega nos frustramos, queremos mais, exigimos mais, pedimos mais.
Certamente, se continuar assim, não se conhecerá a felicidade. Assim será uma eterna busca que nunca chega, que nunca se completa, que nunca se faz.
É uma tal espera pelo emprego ideal, o amor ideal, a casa ideal, a família ideal. Não se vive de ideal, e sim do que se tem em mãos! Vive-se do bom proveito do que se tem!
E eu também vou em busca desse aprendizado.

Laís Toscano

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Admirável Lispector

Sou apaixonada pela escrita de Lispector. Ainda sou muito menina e iniciante nesse mundo sem fim da leitura.
Encontrei em Lispector muitas palavras que gostaria de ter dito e não saberia por onde começar. Ela escreve como se tivesse mergulhado no labirinto do seu ser, que por diversas vezes é cheio de emaranhados, mas que ela consegue traduzir em palavras.
Hoje deixo aqui um trecho dela para ser pensado e repensado.

"É dificil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."


P.S.: Espero, no próximo post, voltar com mais profundidade e disposição para escrever.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não sei quantas vezes serão necessárias, não sei até onde o medo vai persistir, não sei até onde a lembrança vai ser forte, não sei quantas vezes ainda vou cair. Nem sei ao certo se voltarei, se falarei, se ouvirei.
Já não tenho certeza se estou pronta, se sei, se fui.
Talvez eu não esteja mais aqui, talvez eu não esteja nem aí. Talvez já tenha perdido a importância.
Pode ser que eu reenconte, talvez não. Pode ser que eu telefone, pode ser que eu desista. Pode ser que eu responda 'oi', pode ser que eu me esconda. Pode ser, também, que eu nem reconheça, pode ser que eu veja e nem me preocupe, e pode ser, inclusive, que eu dê imensas gargalhadas.
Pode ser amanhã. Pode ser nunca mais.


Laís Toscano

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dia do professor

Amanhã é dia 15 de outubro, DIA DO PROFESSOR. Ser professor não é só profissão, é missão.
Missão árdua, contínua, construtiva! É o sonhar diário, o saber incansável, é a busca da democratização do conhecimento. Que bonito ter tamanha habilidade!!
Bonita é a paixão daqueles que resistem às dificuldades da sala de aula, dos problemas educacionais que se alastram pela educação brasileira.
Saudações mais que merecidas a todos que fazem de seu trabalho o alimento do conhecimento.
De forma especial quero parabenizar meu pai, professor de profissão e de vida, exemplo de dedicação e prazer pelo que faz, pela satisfação de doar-se à educação e nela conseguir vislumbrar a saída para tantos problemas.
Parabéns a minha primeira professora, aos demais professores que passaram por minha vida escolar e acadêmica.
Parabéns a todos que se emocionam com a alfabetização de crianças, pois esta tarefa é como abrir a janela para o mundo e dar-lhes oportunidades de ver o mundo colorido.
Professores, parabéns!
Termino essa postagem com uma frase de Cora Coralina em que diz : "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
Laís Toscano

sábado, 29 de agosto de 2009

Relembrando Vinícius


Conheci a obra de Vinícius de Moraes através dos livros do meu pai. Lembro que o primeiro texto que li foi um em que ele fala para o filho Pedro. Hoje, por algum motivo, lembrei disso. Eis que o transcrevo aqui.



Pedro, meu filho...
Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai apaixonado - a insensatez de um coração constantemente apaixonado.
E porque te fiz com o meu sêmen homem entre os homens, e te quisera para sempre escravo do dever de zelar por esse alqueire, não porque seja meu, mas porque foi plantado com os frutos da minha mais dolorosa poesia.
Da mesma forma que eu, muitas noite, me debrucei sobre o teu berço e ver-te sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua.
E porque vivemos tanto tempo juntos e tanto tempo separados, e o que o convívio criou nunca a ausência pôde destruir.
Assim como eu creio em ti porque nasceste do amor e cresceste no âmago de mim como uma árvore dentro de outra, e te alimentaste de minhas vísceras, e ao te fazeres homem rompeste meu alburno e estiraste os braços para um futuro em que acreditei acima de tudo.
E sendo que reconheço nos teus pés os pés do menino que eu fui um dia, em frente ao mar; e na aspereza de tuas plantas as grandes pedras que grimpei e os altos troncos que subi; em tuas palmas as queimaduras do Infinito que procurei como um louco tocar.
Porque tua barba vem da minha barba, e o teu sexo do meu sexo, e há em ti a semente da morte criada por minha vida.
E minha vida, mais que ser um templo, é uma caverna interminável, em cujo recesso esconde-se um tesouro que me foi legado por meu pai, mas cujo esconderijo eu nunca encontrei, e cuja descoberta ora te peço.
Como as amplas estradas da mocidade se transformaram nestas estreitas veredas da madureza, e o sol que se põe atrás de mim alonga a minha sombra como uma seta em direção ao tenebroso norte.
E a morte me espera em algum lugar oculta, e eu não quero ter medo de ir ao seu inesperado encontro.
Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasse chorar, sem saber que criava um mar de pranto em cujos vórtices te haverias também de perder.
E amordacei minha boca para que não gritasses e ceguei meus olhos para que não visses; e quanto mais amordaçado, mais gritavas; e quanto mais cego, mais vias.
Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.
E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar:
Assim é o canto que te quero cantar, Pedro meu filho...
Laís Toscano

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Em nome da fé

A mídia nesses últimos dias vem noticiando o escândalo que envolve a Igreja Universal do Reino de Deus, onde esta é acusada de recolher o dízimo e destiná-lo para interesses particulares. Ora, a doação é livre, claro! O que não é justo é que se use a fé para arrecadar dinheiro, e além do mais, fazendo lavagem cerebral para que as pessoas façam doações de grande vulto na crença de que quanto maior for a fé, maior deverá ser também a doação.
A legislação isenta as igrejas de pagamentos de impostos justamente para que a doação feita pelos fiéis seja destinada aos gastos com a própria igreja e em ações sociais.
A acusação feita a igreja já mencionada é de que além dessas doações estarem sendo aplicadas em imóveis luxuosos para particulares, está também, sendo colocada a disposição de empresas privadas.Em um país com inúmeros problemas sociais como o Brasil, cheio de miséria e corrupção, agora presenciamos a venda da fé, na promessa de salvação, da cura ou de um lugar no paraíso.
Ora, meus senhores, usar o nome de Deus para enriquecer, para trapaciar é o cúmulo, aproveitando-se das pessoas de boa-fé que vão a igreja a procura de uma satisfação interior, na crença do seu Deus, esperando uma resposta para suas agruras, e sem contar que para muitos a fé é tudo que lhe resta.
Meus senhores, a fé é inalienável.
Laís Toscano

sábado, 8 de agosto de 2009

Mão estendida


Vem, amigo! Eu vou ouvir você falar tudo que deseja. Entra, senta, sinta-se a vontade, a casa é sempre sua. Sim, irei ouvir, apenas ouvir, e prometo não fazer críticas, você sabe que eu não sou boa em críticas.

Vem, me deixa pegar na tua mão, olhar você bem devagarinho, reconhecer teus olhos. Há tempos em que não nos encontramos e isso traz a sensação de que deixamos de viver muitos momentos.

Fique a vontade pra chorar, eu respeito as lágrimas, os sentimentos e as palavras. Aliás, eu sou apaixonada pelas palavras e você sabe bem disso.

Olha, fala o quanto sentir, chora até o corpo se esgotar, e quando o sono bater eu vou acariciar teus cabelos e velar teu sono.

Calma! Ainda guardo aquele ursinho que você adora, vou pegá-lo para você se sentir mais protegido.

Vem, amigo! Confia!



Laís Toscano

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carta a um amigo


Querido amigo Pedro,


Ultimamente ando lembrando muito de você, da nossa infância feliz, da nossa adolescência bem vivida e dos nossos sonhos compartilhados. Remexendo nas gavetas encontrei fotos em que estávamos juntos na época da faculdade. Depois que encontrei essas fotos decidi voltar àquele cafezinho em frequentávamos lá na Rua Venceslau Menezes, confesso que me emocionei bastante ao voltar lá e não ter sua companhia.
Faz tempo que você não me escreve e nem telefona, e isso me deixa bastante ansiosa, porque preciso saber de como vai sua vida, seus afazeres, seus planos.
Por aqui a vida está um tanto corrida, estou trabalhando na redação de um jornal importante do nosso Estado e isso acaba por me tomar muito tempo.
Tenho planos de dar andamento a outro livro de contos, acredito que até o final do ano consiga terminá-lo, quem sabe.
Mas não escrevo para falar de mim, e sim para saber de você. Como vão os estudos na França? Tem se adaptado bem ao clima, aos costumes? Como vai a adorável Juliana? Sinto saudades dela também. Diga-a que a espero na volta para comer aquele bolo de cenoura que só ela sabe fazer. Quero também ouvir sua enorme risada e suas experiências.
Quanto ao último poema que me enviou, achei belíssimo, encantador, como você sempre foi e escreveu. É de uma pureza surpreendente!
Estou planejando uma viagem para revê-lo. Gostaria de abraçá-los, você e Juliana, conhecer as belezas daí e até mesmo retomar aquele projeto de escrevermos um livro juntos. Que tal? Gostas da idéia?
Enfim, vou ficando por aqui porque já está na hora de voltar ao trabalho. Espero por notícias em breve.



Com amor,
Cléo.


P.S.: Junto das notícias, mande-me também fotografias de seus dias.




Laís Toscano

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aos amigos, meu carinho!

Aos amigos presentes, àqueles que ora estão distantes, mas que carrego doces lembranças, aos de infância, aos de colégio, aos de faculdade, aos que ainda virão, aos amigos recentes, aos que chegaram de mansinho, ficaram sem pressa, sem cobranças, aos que não me escolheram, apenas aconteceram, meu carinho!
Pelos momentos de risadas, pelos momentos que fui incompreensiva e que mesmo assim tentaram me compreender, pelos momentos em que fui ausente e mesmo assim não esqueceram de mim, meu mais sincero agradecimento!
A vida só vale a pena quando enchemos ela de amigos, pois aí está a grande riqueza inabalável!
Laís Toscano

Despedida

Estava decidida. Ía, enfim, brigar com a tristeza! Ensaiou algumas palavras, respirou fundo, encheu-se de coragem e amor-próprio, e assumiu que estava disposta a superar seu passado.
- Olha aqui - disse ela - trate de me esquecer, eu preciso ir embora e você seguirá seu caminho, vagando por aí perdida...
No meio daquelas palavras saltitantes a voz ainda falhava, mas estava firme na decisão que tomara.
- Vai, solta minha mão, eu quero conhecer outros caminhos, esquece meu coração, ele precisa de um pouco de paz. Meu corpo está cansado, meu sono pede trégua para poder sonhar, meus olhos estão desiludidos, perderam o entusiasmo, perderam o brilho. Sai, saia já!
Ela estava consciente de que seria uma batalha entre gigantes, mas vestiu-se de força e não desistiria da vitória.
- Entenda! Todos buscam a felicidade, eu sou apenas mais uma. Não seja egoísta, tente mudar também, aprendizados e mudanças fazem parte da vida. Veja bem, para você não pensar que estou sendo ingrata te dou um conselho, larga a melancolia, vira a página, junte-se a felicidade, ao sorriso. Vai, por favor, deixe-me aqui, eu preciso viver!
Laís Toscano

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inconsequente

Foi embora atrás de um sonho. Juntou tudo, colocou na mala e foi.
Deixava para trás tudo que já vivera. Sabia que um dia voltaria, mas não parou pra pensar que na sua volta nada estaria igual. A sua vida de antes não a reconheceria, seus amigos já não seriam os mesmos, a árvore que plantou já estaria grande, outras histórias teriam sido escritas e ela nem sequer tivera a oportunidade de lê-las. Desconfio eu que na sua mala não levara as saudades, foi assim, friamente, egoísta, pensara apenas nesse tal sonho!
Quando voltar não encontrará seu passado, sua vida não a reconhecerá, o cheiro dos lençóis de sua cama não será o mesmo, as paredes da sua casa estarão mais frias, indiferentes, como se ali estivesse entrando uma estranha.


Laís Toscano

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sim!! Ela acredita


Sabe aquela música de Chico que diz: "Hoje tenho apenas uma pedra no meu peito/ exijo respeito, não sou mais um sonhador/ Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor/ e dou risada de um grande amor..." e no final vem aquela voz grintando "Mentira!". Então... se encaixa direitinho no que ela tenta ser.



Pois é! Tenho minhas dúvidas quanto a frieza toda que ela transparece ter. Acredito que nada passa de uma grande máscara. No fundo ela acredita, tem esperança, sonha, alimenta as possibilidades. No íntimo ela gosta mesmo é das flores, dos amores, das promessas e das canções apaixonadas.
Ninguém vê, mas está ali, guardadinha. Ela mesma fecha os olhos para não perceber que é uma incorrigível sentimental, amante das histórias de romance, das estrelas e de poemas.
Ela fica tentando provar o contrário com sentimentos premeditados, racionalismo, exatidão de pensamentos, personalidade independente, opinião bem posta, mas no seu íntimo... ah, no seu íntimo ela pensa demasiadamente no amor!
Ela é assim! Pensa muito, expressa pouco! Acredita que se deixar transparecer será entendida como fraca, como melosa. Não sabe ela a grandeza que é deixar se levar pela vida e pelos aprendizados que ela oferece.
Ela sempre tem o menor em vista, que é pra se contentar com o que vier, com o que tiver em mãos. Se subir achará o céu mais azul porque o imaginou mais escuro. Mas no fundo ela espera que alguém lhe prove o contrário, que lhe mostre que vale à pena...
Mas não importa! Eu sei. Sim, eu sei... No absoluto silêncio do seu quarto ela espera ouvir palavras doces, abre os seus sonhos, assite-os com as cores mais vibrantes, alegres, saltitantes! E nessas horas ela se deleita com o que insiste em esconder, e assim vai seguindo com uma frieza falsa, numa coragem disfarçada!


Laís Toscano

domingo, 28 de junho de 2009

A postagem de hoje é "intimamente íntima"! Diferente dos outros posts, hoje vou dedicar a falar de mim (confesso que tenho grandes dificuldades quanto a isso).
Eis que encerro uma etapa da vida e de imediato inicio outra. Fecham-se os portões da universidade e abrem-se as portas do mundo profissional, e isso causa uma mistura de sensações. Medo, alegria, expectativa, ansiedade, planos, enfim, um vitamina de sentimentos!
Cinco anos se passaram! Foi tudo tão rápido, tantos aprendizados, tantas leis, jurisprudências, súmulas, doutrinas, posicionametos, discordâncias. Tantos ensimamentos acadêmicos, mas houveram, principalmente, ensinamentos para a vida.
O futuro me aguarda, o incerto me acompanha, mas a confiança está em mim! Estendo minhas mãos para o futuro e espero fazer nele o deseho mais colorido que puder.
Aqui deixo meu eterno e terno agradecimento aos que estiveram comigo durante essa trajetória.
Começo minha caminhada e levo vocês comigo!
Que venham os novos dias!
Laís Toscano

terça-feira, 2 de junho de 2009

Patrícia

Era de poucos gestos, poucas palavras, muitos olhares e observações. E gostava disso! Era egoísta demais pra se dividir com outras pessoas, e por isso era vista como petulante, outras vezes como tímida demais. Mas a verdade é que se sentia bem consigo mesma. Não ousava dividir seu mundo cheio de questionamentos, muito menos as respostas que ela mesma encontrava. Era seu mundo, apenas seu! Um mundo paralelo àquele visto e vivido com seu grupo do cotidiano. Podia dividir apenas esse mundo, mas o do seus sonhos, não. Isso não!
Tinha medo que na medida que fosse revelando suas características, seu mundo ficasse cheio, com muita gente transitando, falando demais, opinando demais, presente demais. Gostava mesmo era do silêncio. E era tão confiante, que acreditava que não precisava de mais ninguém para contribuir com suas idéias e ideais. Se isso acontecesse, perderia a grandeza, perderia o mistério, perderia a soberania de estar só e só tirar suas próprias conclusões. No fundo, Patrícia era mesmo muito petulante. Zombava do mundo como se ela estivesse num patamar acima de todos, e mais irritante ainda era saber que ela não exteriorizava isso. Não precisava. Não dividia nem mesmo sua ironia.
Era mesmo muito petulante. E pra ser sincera, Patrícia daria gargalhadas se soubesse que alguém estaria lhe chamando de petulante!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ao meu avô

Sou feita de saudades. Saudades da infância, do tempo de colégio, de amigos, de risos profundos.
Saudades dos fins das tardes em que passei com minha avó em sua casa, quando sentava à mesa da cozinha e ainda não conseguia alcançar os pés no chão. Saudades da casa em que nasci, saudades das viagens que fiz com meus pais quando ainda era criança, saudades da minha primeira professora, saudades, muitas saudades.
As lembranças estão sempre presentes, mas há dias em que elas impregnam na alma, nos olhos e no coração. É como se tivéssemos aberto a porta e de surpresa a saudade invade, se espalha e se deleita.
Hoje foi um dia assim.
Lembrei fortemente do meu avô, do seu sorriso largo, da sua voz, das suas mãos firmes, da sua habilidade de contar histórias e estórias. Do seu jeito cativante, moleque, menino e gozador. Lembrei do seu jeito pai, amigo e exemplo. Lembrei do seu jeito companheiro, amável e religioso.
Lembrei de você, meu avô.
Sinceramente, hoje queria poder te abraçar, sentar ao seu lado e ficar em silêncio, mas em outubro último você nos deixou, e com tua ausência a saudade se faz presente, faz reviravoltas em nossos corações, pula, salta, faz birra, traz lágrimas e traz sorrisos.
Ficamos órfãos da tua alegria, mas não dos teus ensinamentos. Foi você quem nos ensinou a sonhar.
Vovô, até um dia! E quando esse dia chegar mataremos as saudades e riremos juntos novamente. Saudades, muitas saudades!
Laís Toscano

domingo, 19 de abril de 2009

Pobre Marina

Não se reconhecia no espelho fazia meses. Estava tão fragilizada, tão descontente consigo mesma, com suas atitudes, e o mais doloroso era saber que havia se abandonado, se é que isto é possível.
Algumas vezes tentou reerguer-se. Chegou a passar alguns dias bem demais, mas voltou àquela tristeza, que sabia bem o motivo, mas não ousava questionar-se.
Após um sufoco de sentimentos, prestes a entregar-se a dor daquele não, resolveu gritar ao mundo, ou melhor, ao seu mundo e revelar tudo que não imaginou um dia sentir, muito menos expressar.
Desabafou!
Chorou!
Pegou a dor com a mão e a reconheceu como sua!
Mas continuava a se estranhar. Sentia-se diminuída pela situação, pelo sentimento não correspondido, pela ilusão outrora sonhada. Odiava-se por isso.
Tentou ser forte. Conseguiu. Seguiu. Aprendeu.
Aprendeu, inclusive, que para as dores do amor não conta a experiência, muito menos o racionalismo.
Pobre Marina estava só com dor. Apenas ela e a dor. A dor e ela. Niguém mais, niguém menos.
Laís Toscano

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Outono







Ah! como era boa toda aquela sensação! Era a transição entre o verão e o inverno. Era a temperatura mais amena. Era a chegada lenta das chuvas. Mas o mais importante era o sentimento diante daquele espetáculo. Sentimentos não se explicam, claro! Mas era de um conforto tão grande que vivia a tentar descrever aquela sensação. Sentia-se mais calma, mais livre, parecia que o tempo tinha parado para que ela pudesse apreciar tudo com cautela, lentamente! O fim da tarde caía cheio de cores novas, com ventos sutis balançando seus cabelos longos e até a cor dos olhos ficara mais alegre, mais vívida.
Colocava um vestidinho branco que havia ganho de presente de aniversário e ía para a pracinha perto de casa. Levava algum livro que pudesse ser lido naquela tranquilidade, assistia a queda das folhas secas, com aqueles tons de amarelho e vermelho, acompanhava atentamente cada segundo, mas seu passatempo preferido mesmo era olhar as crianças correndo e se deliciando nos parques, desmanchando-se em gargalhadas, em risos sinceros e longos!
Depois voltava pra casa, (tudo era em câmera lenta) tomava um banho, conversava, gostava de falar de futuro, fazer planos, principalmente para os outonos que ainda viriam.
Tomava algum suco e refugiava-se em seu quarto, em meio a livros e sonhos. Deleitava-se e deitava-se. Ficava esparramada na cama, ouvia música, olhava fotos, escrevia, lia e quando a chuva caía ficava a admirar da janela as gotas correndo rua abaixo como se tivesse vendo o maior espetáculo divino.
E já sentia saudade do dia que ainda estava pra nascer! Ah, o outono. O outono!


Laís Toscano

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Por favor, não tente me impedir. Hoje eu preciso sonhar!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Carta ao tempo


Caríssimo Senhor Tempo,

Após longos anos de desentendimento venho levantar minha bandeira da paz e tentar um acordo. Sei que não é simples, tenho minhas falhas, mas é preciso que o senhor também reconheça suas provocações. O senhor, Vossa Majestade, Alteza, Santidade, ou seja lá como deseja ser chamado insiste em me deixar pra trás. Para corresponder as minhas atividades acadêmicas eu preciso acordar às 6:00 e quando menos espero o senhor já está caminhando para a casa das 7:00, e isso atrasa todo o meu dia. Não sabe o constragimento que causa aos meus afazeres diários. Pra completar nossas confusões, preciso que o senhor elasteça mais o meu dia para que eu possa concluir meu trabalho de encerramento de curso, já apelei pra isso, mas até agora não houve resposta. Preciso tomar muitas decisões, mas para isso preciso também de que o senhor me ajude, me aprimore, me permita maiores sabedorias.
Andei muito zangada com o senhor em outros tempos. Basta lembrar da minha prova de vestibular, quando ainda precisava da sua compreensão e o senhor não me ouviu. Mas tudo bem, tudo bem, isso foi há cinco anos. Cinco anos em que éramos mais jovens, éramos mais inexperientes, tanto eu quanto Vossa Excelência. Isso já passou e nesses anos que percorri não posso só julgá-lo como mal. O senhor tem me feito aprender muitas coisas também, tenho me tornado mais responsável, mais equilibrada, tenho até gostado mais de mim, graças as possibilidades que o senhor vem me permitindo. Claro que uma vez ou outra fico chateada, reclamo, insisto, mas não tem jeito, o senhor é implacável, não perdoa, não desiste, não pára.
Agora, por exemplo, estou bastante contrariada, porque cá estou eu tentando fazer um ato de diplomacia e o senhor está aí correndo, só Deus sabe pra onde, feito um louco desvairado, sempre apressado e imprevisível e nem sequer me dá ouvidos.
Sinceramente, desisto. De-sis-to. Desisto. O senhor é intoleravelmente insensível. Definitivamente, desisto.


Laís Toscano

sexta-feira, 27 de março de 2009

A saudade é cor de cinza


Despiu-se da capa que a protegia contra os sentimentos, correu para o quarto, sentou-se no chão junto à parede e então chorou. Era um choro guardado há dias, há meses. Tinha passado horas e horas de uma angústia que resistia para admití-la e só naquele dia, quando já não suportou, se entregou a vulnerabilidade das dores do amor. Questionava-se como teria chegado até alí. Era tão indiferente às coisas do coração e, até então, era intacta às armadilhas sentimentais. Não aceitava o sofrimento como se tivesse escolha, como se pudesse separar de si mesma, como se pudesse arrancar as decepções como se arranca uma roupa do corpo. Era imatura demais pra perceber que a vida traça seus próprios caminhos sem nenhuma consulta prévia. E naquele desespero da rejeição as lembranças a atormentavam. Quantas promessas! Quantas palavras gentis que se perderam em instantes .
Tentou se refazer, enxugou o rosto, levantou-se, respirou e percebeu que a dor ainda estava guardada. Seria uma batalha diária, ela e a dor, a insatisfação e a raiva que cultivava de si mesma por deixar se enganar de tal maneira.
Tantos planos, tantos sorrisos que ficaram somente na memória, tantos abraços que se perderam na ilusão de um amor inventado, fingido, que agora rasgava seu orgulho e sua alma. Estava exausta, não se reconhecia no espelho. Antes era tão descrente dessas dores e dos amores, mas agora era vítima da sua inocência.
E dentro da sua tristeza percebeu que havia aprendido algo, aprendeu que a saudade tem cor, era cinza. Assustadoramente cinza. Cinza como as lembranças que a marcariam por um longo período. Mas prometeu a si que jamais deixaria enganar-se outra vez, não acreditaria mais nas palavras sutis e amáveis. Duvidaria de todos os elogios, de todas as promessas de felicidade, de todas as juras de amor, e que dalí em diante seria mais forte. Pobre menina começara a enganar-se outra vez.



Laís Toscano

domingo, 22 de março de 2009

"São as aguas de março fechando o verão,
é a promessa de vida no meu coração..."


E março chega ao fim. Terceiro mês do ano cumpre seu papel, e mostra certeza do seu retorno em 2010, mas minhas esperanças não se foram junto com seu término. Estou de cara limpa para enfrentar os próximos meses. 2009, provavelmente, será o ano dos desafios, e que venham todos!

Laís Toscano

quinta-feira, 19 de março de 2009

Nem porquê nem pra quê

As vezes me pergunto o porquê de tantos personagens. O porquê de tantos fingimentos inúteis. Não adianta. O que se sente está guardado de forma mais segura possível, e pode ser que se consiga transparecer uma idéia diferente da real para qualquer pessoa , desde que não seja você mesmo. Permitir-se sentir alegre ou até mesmo triste é de uma grande fortaleza, porque é quando já não há preocupação com os pensamentos alheios sobre você. Sinceramente, não quero (e nem preciso) estabelecer meios que disturpem a minha imagem. Quero ser, e não parecer ser! Acho que se todos estivessem dispostos a aceitar as emoções e sentí-las, seja lá essa qual for, tudo seria mais simples de se resolver.
Não quero me fazer de forte nas horas que precisar de ajuda, e também não vou camuflar minha alegria quando esta me invadir. Talvez essa seja uma forma de liberdade. Fingir é muito trabalhoso e eu morro de preguiça!



Laís Toscano

segunda-feira, 16 de março de 2009

Severinas

Meu pai é dotado de uma sensibilidade imensa. Uma vez ou outra ouço ele falar de sua infância, aventuras de quando jovem, de sua relação com seus pais, das travessuras com amigos e primos, e cofesso que tudo isso sempre me fascinou.
Certa vez vasculhando os documentos de seu computador encontrei um texto que falava de duas Severinas, de imediato não compreendi quem seriam as tais. Curiosa que sou, o questionei sobre tais mulheres, de imediato me respondeu com satisfação que suas avós possuiam o mesmo nome e em homenagem a elas teria escrito o referido texto.
Agora o publico aqui!

Severinas

Foram duas Severinas
Que marcaram minha vida,
foram berços criadores
de proteção e muitos amores.
Do riso fácil,
da mão severa,
do olhar profundo
e visão de mundo.
Foram duas Severinas,
uma velha outra sempre menina,
uma urbana outra rural,
mas nas duas Severinas
nenhuma me fez mal.
Uma comprava a outra vendia,
se outra chorava, uma sorria.
Uma pensava e a outra dizia.
Foram duas Severinas,
Severinas que se foram.
A saudade faz memória,
e deixaram na minha história
dois frutos Severinas.


(Percinaldo Toscano)

domingo, 15 de março de 2009

Maria Chica

Na ruazinha da minha infância,
tinha uma mulher bonita,
negra africana.
Seu nome completo eu não sei.
Era Maria Chica!
Solitária, solidária...
E tinha o passado como diálogo.
Delirava em meio à fumaça azul do seu cachimbo.
Amavelmente fraterna
e numa imagem em preto e branco,
fixada na meia parede da sala
um verso de menina!

Percinaldo Toscano


Este é um texto que faz referência à infância do meu pai, e este sempre muito ligado a suas raízes, escreveu sobre a senhora Maria Chica, que com sua importância fez parte da vida do autor.

Sem título

" Sonhei, como eu sonhei!
e envolto neste sonho,
não percebi que por entre os dedos,
o sonho fugiu,
e o sonho que sonhei, temporariamente, foi para o pretérito perfeito (evadiu)"

Peunovich

Abrindo a cortina

Sempre tive o hábito de escrever, claro que sem nenhuma pretensão maior, a não ser uma forma de me conhecer melhor, ou sei lá, um meio de "expulsar" meus pensamentos. Entre alguns textos já escritos, muitos ficaram em folhas de cadernos velhos e outras se perderam em mim. Aqui pretendo escrever sobre um pouco de tudo que me preenche: livros, sonhos, músicas, opiniões, dúvidas, textos esquecidos em meio aos meus livros e papéis...

Não quero fazer deste espaço um ponto de referência à nada, desejo apenas escrever, escrever e escrever!

Com entusiasmo,
Laís.