
Os sinos não anunciavam sua chegada e o céu não se vestiu de um azul mais vivo. O relógio da igreja continuava a marcar o passar das horas.O tempo passou, nada mudou. Ele mudou.
Trazia a mala cheia de medo e indefinição. Há anos tinha partido e sentira o mesmo medo. Mas naquela ocasião sabia para onde ia e o que ia fazer. Agora não. Agora era diferente. Trouxe os olhos baixos e tristes, mãos inquietas, pensamentos acelerados e vontade de não precisar voltar.
Aquela volta tinha gosto amargo, tinha gosto de retrocesso, tinha gosto de derrota.
Largou a mala na sala e ficou a observar as paredes da casa. A casa era a mesma, mas não tinha cheiro de futuro. Os móveis eram os mesmos, mas já não eram tão acolhedores. A árvore do quintal não o reconheceu e o cheiro de infância virou lembrança.
Anos atrás tinha partido e sabia que voltaria, mas não assim tão de repente, não sem antes concluir o que desejava, não sem antes poder voar mais alto. O sentimento não era de ingratidão, mas era de desejo de conhecer outros caminhos. Ao longo desse tempo os sonhos cresceram e já não cabiam naquele espaço. Parou por alguns segundos e pediu perdão sabe-se lá a quem por todos aqueles pensamentos e prometeu a si que tentaria construir seu futuro a cada despertar de sol.
E repetia baixo: “- Não! Ainda não acabou.”
Laís Toscano
Trazia a mala cheia de medo e indefinição. Há anos tinha partido e sentira o mesmo medo. Mas naquela ocasião sabia para onde ia e o que ia fazer. Agora não. Agora era diferente. Trouxe os olhos baixos e tristes, mãos inquietas, pensamentos acelerados e vontade de não precisar voltar.
Aquela volta tinha gosto amargo, tinha gosto de retrocesso, tinha gosto de derrota.
Largou a mala na sala e ficou a observar as paredes da casa. A casa era a mesma, mas não tinha cheiro de futuro. Os móveis eram os mesmos, mas já não eram tão acolhedores. A árvore do quintal não o reconheceu e o cheiro de infância virou lembrança.
Anos atrás tinha partido e sabia que voltaria, mas não assim tão de repente, não sem antes concluir o que desejava, não sem antes poder voar mais alto. O sentimento não era de ingratidão, mas era de desejo de conhecer outros caminhos. Ao longo desse tempo os sonhos cresceram e já não cabiam naquele espaço. Parou por alguns segundos e pediu perdão sabe-se lá a quem por todos aqueles pensamentos e prometeu a si que tentaria construir seu futuro a cada despertar de sol.
E repetia baixo: “- Não! Ainda não acabou.”
Laís Toscano

