quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Os sinos não anunciavam sua chegada e o céu não se vestiu de um azul mais vivo. O relógio da igreja continuava a marcar o passar das horas.O tempo passou, nada mudou. Ele mudou.
Trazia a mala cheia de medo e indefinição. Há anos tinha partido e sentira o mesmo medo. Mas naquela ocasião sabia para onde ia e o que ia fazer. Agora não. Agora era diferente. Trouxe os olhos baixos e tristes, mãos inquietas, pensamentos acelerados e vontade de não precisar voltar.
Aquela volta tinha gosto amargo, tinha gosto de retrocesso, tinha gosto de derrota.
Largou a mala na sala e ficou a observar as paredes da casa. A casa era a mesma, mas não tinha cheiro de futuro. Os móveis eram os mesmos, mas já não eram tão acolhedores. A árvore do quintal não o reconheceu e o cheiro de infância virou lembrança.
Anos atrás tinha partido e sabia que voltaria, mas não assim tão de repente, não sem antes concluir o que desejava, não sem antes poder voar mais alto. O sentimento não era de ingratidão, mas era de desejo de conhecer outros caminhos. Ao longo desse tempo os sonhos cresceram e já não cabiam naquele espaço. Parou por alguns segundos e pediu perdão sabe-se lá a quem por todos aqueles pensamentos e prometeu a si que tentaria construir seu futuro a cada despertar de sol.
E repetia baixo: “- Não! Ainda não acabou.”



Laís Toscano

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carnaval



Nasci no dia 12 de fevereiro de um ano qualquer, numa quarta-feira de cinzas. Pois sim! Uma quarta-feira de cinzas! Nasci já com déficit de um carnaval, e não sei se isso tem alguma relação, mas eu gosto da magia do período carnavalesco.
Mesmo o carnaval sendo uma festa popular de origem parisiense, a comemoração criou volume nas ruas brasileiras, e a festa tomou formas diferentes, foi temperada com axé, frevo e samba.
Carnaval é festa de todos e para todos! Gosto dessa ideia de unicidade, de igualdade. Gosto da possibilidade criar e recriar. Gosto da fantasia, da brincadeira, do desprendimento. Gosto do 'faz de conta'. Gosto da democracia com que o carnaval é comemorado, aliás, meu nome é de origem grega e significa democrática, mais uma semelhança com o carnaval.
Seja nas brincadeiras de rua, no clube fechado, na escola de samba, atrás do trio elétrico, no frevo ou no maracatu, a alegria se faz presente, a fantasia se faz presente.
Carnaval é momento em que caem as barreiras das diferenças, somem as dificuldades do cotidiano, e é um tal de surgir bailarina, espanhola, pirata, bobo da corte, Lampião, Maria Bonita, marinheiro, policial e tudo que a imaginação permitir.
E como disse Vinícius, ( sim, é o de Morais) 'pra tudo se acabar na quarta-feira'. Mas quem entende a alma do carnaval não pensa no seu fim, pensa no durante como se eterno fosse, na esperança de viver num eterno mundo colorido.
Ah, o carnaval, o carnaval!


Laís Toscano