sábado, 30 de outubro de 2010

Cenário político geralmente apresenta algumas incongruências e, por regra, muitas desavenças. Reta final de segundo turno na Paraíba, algumas surpresas no resultado do primeiro turno, falatórios, uns passam de lá pra cá, de cá pra lá, enfim, nada que não possa ocorrer em outros Estados da Federação, mas na Paraíba as eleições tiveram algo a mais: nosso estado serviu de teatro para uma peça de apresentação exclusiva.
Helicóptero "inunda" várias cidades com panfletos acusando um candidato a governador de ter pacto demoníaco e fazer estátuas com significados satânicos na capital do estado. Sim! O cúmulo da apelação! O mais alto nível da canalhice, da sujeira, do escárnio. É a luta desenfreada pela manutenção do poder, nem que para isso precise usar e abusar da fé e duvidar da sabedoria do povo.
Os últimos momentos das eleições estão sendo recheados de estupidez, a ponto de deixar qualquer um aflito para saber qual vai ser a próxima bizarrice.
Numa disputa eleitoral não há problema nenhum quando há divergências de ideias, de propostas, de ideologias, mas o problema surge quando o cerne da questão passa a ser a agressão e o preconceito. Aí, meu caro, deixa-se de lado a democracia, o respeito e o bom senso, e tudo passa a correr na base da escrecência. Ficam fazendo política à base do oba oba, do "vamos ver no que dá".
Cá fico eu questionando que numa democracia elege-se o que for melhor, e o melhor que podemos ter é isso? Merecemos assistir essa mediocridade em busca do poder a qualquer custo?
Freud já disse que "quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo". E são nessas horas que revela-se a face imunda e o dedo podre.
Enquanto isso, num cantinho do Nordeste, minha Paraíba pequenina anseia por dias que honrem a dignidade de seu povo.
Laís Toscano

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Assim como no sonho

De repente ele apareceu no meu sonho. Meu avô vestindo roupa branca, com olhos espertos e um sorriso sereno ficava a me olhar sem dizer nada. Eu, com a alegria da surpresa e ansiosa por alguma palavra, ficava parada com um olhar de expectativa. Perguntei algumas vezes se estava tudo bem mas ele continuou em silêncio, apenas sorriu e bateu os olhos para confirmar minha pergunta.
E como coisas que só em sonho são possíveis, meu avô transformava-se em criança de colo. Peguei-lhe nos braços e o acomodei. Segundos depois meu avô foi envolvido numa nuvem branca como algodão e aos poucos ía sendo retirado dos meus braços, ficando cada vez mais distante até desaparecer por completo no ar.
Acordei, olhei para os lados acreditando que meu avô ainda estivesse por perto. Não! Partira segundos atrás.

Amanhã, 23 de outubro, completam dois anos que meu avô partiu para a eternidade, mas nos meus sonhos vira e mexe ele se faz presente.
Meu avô na vida, assim como no sonho, partiu e ainda era um menino.


Laís Toscano