Já não era mais tão menina e ainda não sabia o que fazer com as palavras, resolveu então aliar-se ao silêncio. Na verdade não era uma escolha, era o que lhe restava e nem ao menos sabia que seu silêncio a desenhava. Desenhos borrados, tristes e que sempre faltava algo. Pareciam querer explodir em alguma palavra, mas não sabia qual.
O silêncio daquela menina sempre foi pecador, sempre deixou em branco os seus dias, dias que poderiam ter sido pincelados de palavras, de sons, mesmos que poucos, mas sons. Poderiam ter sido pincelados por qualquer coisa que ali deixasse sinal de vida, de sentimento, seja ele qual fosse.
O tal do silêncio passou a ser um impasse, porque depois de muito tempo já não se entendiam, não concordavam, e a menina passou a odiá-lo. Claro, percebeu que o silêncio sempre deixa espaço para as palavras e estas não eram as suas, porque as suas convardimente se calaram, se esconderam em algum lugar e não as encontrou mais.
Depois de muita busca encontrou uma aqui, outra ali, mas ainda não era a palavra que precisava, porque de tanto acúmulo, as palavras saiam desordenadas, apressadas e não exprimiam o que deviam. Era tarefa dificil, diária e cautelosa, porque vez ou outra sentia reinar nas suas veias a comodidade do silêncio. A necessidade de quebrar o vão foi crescendo, atormentando, machucando. O silêncio tinha deixado feridas que não cicatrizaram, e ao contrário das palavras, sua memória era firme, persistente e impiedosa, sempre lhe fazia visitas nas horas mais inoportunas e lhe presenteava com fatos que aumentavam ainda mais sua angústia, a angústia de ter perdido o tempo em que as palavras poderiam ter sido ditas e não foram.
De tanto ver o incômodo dessa menina, resolvi dizer-lhe:
_ Menina, guarda tuas palavras para a eternidade. Quem faz teu desenho é o silêncio que tanto confiaste. Hoje não há quem queira ouvir-te.
Laís Toscano
O silêncio daquela menina sempre foi pecador, sempre deixou em branco os seus dias, dias que poderiam ter sido pincelados de palavras, de sons, mesmos que poucos, mas sons. Poderiam ter sido pincelados por qualquer coisa que ali deixasse sinal de vida, de sentimento, seja ele qual fosse.
O tal do silêncio passou a ser um impasse, porque depois de muito tempo já não se entendiam, não concordavam, e a menina passou a odiá-lo. Claro, percebeu que o silêncio sempre deixa espaço para as palavras e estas não eram as suas, porque as suas convardimente se calaram, se esconderam em algum lugar e não as encontrou mais.
Depois de muita busca encontrou uma aqui, outra ali, mas ainda não era a palavra que precisava, porque de tanto acúmulo, as palavras saiam desordenadas, apressadas e não exprimiam o que deviam. Era tarefa dificil, diária e cautelosa, porque vez ou outra sentia reinar nas suas veias a comodidade do silêncio. A necessidade de quebrar o vão foi crescendo, atormentando, machucando. O silêncio tinha deixado feridas que não cicatrizaram, e ao contrário das palavras, sua memória era firme, persistente e impiedosa, sempre lhe fazia visitas nas horas mais inoportunas e lhe presenteava com fatos que aumentavam ainda mais sua angústia, a angústia de ter perdido o tempo em que as palavras poderiam ter sido ditas e não foram.
De tanto ver o incômodo dessa menina, resolvi dizer-lhe:
_ Menina, guarda tuas palavras para a eternidade. Quem faz teu desenho é o silêncio que tanto confiaste. Hoje não há quem queira ouvir-te.
Laís Toscano
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